Protótipo

O que é um Circuito Acessível?

Um Circuito Acessível consiste em um roteiro de visitação composto por uma série de recursos e expositores inclusivos, tendo como alvo o Desenho Universal, ou seja, o projeto de exposições e ambientes que possam ser usados por todos, com o máximo de acessibilidade possível.

Na etapa inicial de um projeto de Circuito Acessível, são realizadas exposições temporárias e testados protótipos dos recursos que se pretendem incorporar no museu. Nas Pedras Sabidas, objetivava-se a execução de interfaces interativas digitais, ou seja, expositores que permitissem a interação com o acervo (manuseio) e utilizassem tecnologia digital para se comunicar com os visitantes, por meio de sensores, áudios, vídeos, etc.

As tecnologias que ampliam as habilidades funcionais e a autonomia das pessoas com deficiência são chamadas de Tecnologias Assistivas.

A etapa tem como objetivo, portanto, avaliar as melhores tecnologias a serem adotadas posteriormente nos expositores permanentes. Trata-se de uma fase de experimentações e prospecções, imprescindíveis para uma construção adequada de soluções definitivas.

Sugestões para a etapa

  • Realizar um brainstorming (tempestade de ideias) com a equipe do museu, objetivando coletar propostas para o Circuito Acessível, assim como identificar profissionais (internos e externos à instituição) dispostos a integrar a equipe de trabalho.
  • Estruturar a gestão do processo de projeto da exposição, escolhendo ainda as ferramentas de comunicação entre os membros da equipe, adotando desde o simples e-mail até softwares elaborados (confira nesta Cartilha algumas soluções gratuitas nas Referências sobre Acessibilidade). O importante é que os processos de comunicação e tomada de decisão sejam definidos desde o princípio.
  • Realizar visitas guiadas com usuários de diversos perfis, em especial o público alvo do circuito que se deseja implementar (caso exista um recorte específico), objetivando descobrir oportunidades de tornar o acervo existente acessível e listar interesses dos visitantes na coleção do museu.
  • Identificar os recursos já existentes nas exposições permanentes que possam ser incorporados ao circuito inclusivo.
  • Avaliar o acervo frente às possibilidades de sua utilização em expositores interativos. No caso das pessoas com deficiência visual, por exemplo, o manuseio dos objetos consiste em uma excelente opção. Contudo, nem toda peça pode ser tocada, por questões de conservação preventiva. Em alguns casos, acervos originais que possuam duplicatas podem ser utilizados, garantindo-se a preservação de pelo menos um exemplar. Por fim, não sendo possível manusear objetos originais, considerar a confecção de réplicas.
  • Produzir maquetes para peças do acervo de grandes dimensões, arquitetura do museu e/ou aspectos urbanísticos de seu entorno. Por meio das maquetes os visitantes com deficiência visual compreendem melhor as proporções dos objetos originais.
  • Uma vez selecionados e inventariados os itens da coleção que irão compor o Circuito Acessível, executar a simulação de mobiliários para abrigá-los e disponibilizá-los na exposição permanente da instituição. Esta simulação pode ser feita por meio de modelos computadorizados e/ou protótipos em tamanho real, utilizando-se materiais como cartolina para o mobiliário ou, no caso de suporte para equipamentos, o MDF. O objetivo desta etapa consiste em avaliar a adequação da proposta de design do mobiliário, testando as possíveis tecnologias assistivas e equipamentos a serem incorporados à interface interativa digital.
  • Convidar visitantes diversos, em especial o público-alvo, para avaliar os protótipos finalizados em exposições temporárias. Esta avaliação pós-uso pode ser realizada através de entrevistas ou questionários.
  • Promover seminários e reuniões de equipe para consolidação e avaliação dos resultados da etapa. Gerar registros iconográficos e relatórios de todo o processo, para fins de documentação, aprimoramento e capacitação futura dos profissionais.
  • Estruturar uma proposta de Circuito Acessível. Como as demandas de cada público são diferentes, e cada acervo possui suas peculiaridades, o circuito poderá ter como foco um público-alvo específico (pessoas com deficiência visual, auditiva, etc.). Entretanto, sempre que possível, deve-se atender ao máximo todos os usuários do museu (Desenho Universal).
  • No intuito de ampliar o contato com os espaços e galerias, proporcionando ainda aos possíveis acompanhantes uma experiência completa de visitação, sugere-se integrar os recursos acessíveis ao longo de toda a exposição permanente.
  • Um outro aspecto importante é que os expositores inclusivos estejam sempre disponíveis nos horários de funcionamento do museu. Alguns museus possuem apenas atividades pontuais voltadas para as pessoas com deficiência, o que limita, tanto a visitação (restrita a momentos específicos) quanto a interação entre estas, seus familiares e amigos.
  • Elaborar um manual de operação, manutenção e avaliação pós-uso dos expositores interativos e demais recursos do Circuito Acessível.

Projeto Pedras Sabidas

O projeto teve seu início em 2014, com um intercâmbio internacional de pesquisa entre Roberto Ivo Fernandes Vaz (Portugal) e o LavMUSEU/UFMG (Brasil). Na ocasião, Roberto Vaz intencionava desenvolver uma interface interativa em um museu brasileiro, como estudo de caso de sua dissertação de mestrado na Universidade de Aveiro (Portugal). Encontrou, por meio do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq (DGP), o Grupo LavMUSEU (antigo LavGRAFT), coordenado pela Professora Ana Cecília Rocha Veiga, que tinha o interesse de investigar o uso de tecnologias assistivas em museus. Conciliando objetivos e afinidades, com o apoio do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, museu escolhido por Roberto, iniciou-se, então, a construção do protótipo.

O protótipo final consistia em um expositor com quatro amostras minerais, que permitia a livre manipulação pelos visitantes do museu. Ao suspender uma amostra, sensores localizados no expositor acionavam recursos digitais.

Para os usuários com baixa visão, imagens ampliadas das peças e textos eram projetadas na parede do museu. Para os visitantes com perda total da visão, um áudio sobre a amostra escolhida informava suas características geológicas, destacando também curiosidades e aspectos de sua textura. O protótipo permitia ainda a suspensão simultânea de duas amostras, apresentando imagens, textos e áudios comparativos.

O protótipo ficou em exposição temporária no segundo andar do Museu das Minas e do Metal, tendo sido utilizado e avaliado por dezenas de usuários. Após este período de testes e análise dos dados coletados nas entrevistas e questionários, concluiu-se que a experiência foi aprovada pelos usuários, atingindo excelentes resultados. Tanto as pessoas com deficiência visual quanto os visitantes sem deficiência elogiaram a possibilidade de manusear peças do acervo, assim como a interatividade proporcionada pela tecnologia.

Saiba todos os detalhes técnicos desta etapa consultando as publicações científicas do Projeto Pedras Sabidas. Demais recursos relevantes sobre o tema também podem ser encontrados nas Referências sobre Acessibilidade.

Protótipo da interface interativa Pedras Sabidas.
Foto: Roberto Vaz.
Mobiliário em MDF do protótipo Pedras Sabidas.
Foto: Roberto Vaz.
Visitante explorando simultaneamente as amostras de Água Marinha e Sílex, disparando as informações comparativas dos respectivos minerais.
Foto: Roberto Vaz.
Palestra de Roberto Vaz para a equipe do MM Gerdau, na confraternização mensal do museu.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Equipe do MM Gerdau assistindo à palestra de Roberto Vaz.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Professora Ana Cecília e pesquisador Roberto Vaz.
Foto: Alberto Veiga.
Mobiliário do protótipo das Pedras Sabidas, branco com luzes roxas, contendo quatro amostras de minerais. Projeção de imagens na parede do museu contendo o texto:
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