Piloto

O que é um piloto?

Tendo em vista as experiências da etapa anterior (protótipo), esta fase tem por objetivo a realização de pilotos, ou seja, versões para testes de cada tipo de recurso acessível, executados com materiais permanentes.

No caso das Pedras Sabidas, a intenção da equipe era produzir interfaces interativas com as mesmas funcionalidades do protótipo, apresentando amostras variadas dos minerais. Estas interfaces seriam incorporadas à exposição permanente do museu. Em vez, contudo, de executar todas as interfaces de uma só vez, priorizou-se o projeto e construção de um piloto. Assim, após os testes com este piloto, as demais interfaces seriam aprimoradas e executadas.

Piloto Pedras Sabidas

Seguem-se algumas das características do projeto piloto final, bem como os avanços do mesmo em relação ao seu protótipo:

  • Ampliação do número de amostras de quatro para cinco.
  • Modificação do sistema de acionamento dos sensores. No piloto, por questões de segurança, as amostras permanecem presas ao expositor por um fio de aço, sendo que no protótipo os minerais ficavam soltos. Quando o mineral é manipulado, o sensor é acionado pela suspensão do fio, disparando o áudio e as imagens relativas àquela amostra. Manteve-se a possibilidade de obter os dados de forma comparativa, pegando-se duas amostras simultaneamente.
  • Utilização de um televisor tela plana no lugar do projetor, apresentando melhores custos benefícios em termos de aquisição, manutenção e definição/qualidade. Nem toda pessoa com deficiência visual tem perda total. Uma grande parcela da população de pessoas com deficiência visual tem baixa visão, que é uma percepção visual bem pequena. Assim, muitos visitantes são beneficiados com a exibição das imagens ampliadas na tela, podendo visualizar melhor cores e detalhes.
  • Manteve-se a projeção de textos associados às imagens, alcançando as pessoas surdas que sabem ler o português.
  • Design de um mobiliário maior, mais robusto e bem-acabado, em MDF laqueado preto, executado por empresa especializada em cenografia de exposições. Tendo em vista que o objetivo é enfatizar as amostras, e considerando a atmosfera de contrastes luminosos do museu, optou-se por um desenho neutro e escuro, fazendo o expositor “sumir” e o seu conteúdo se destacar. Inverteu-se, portanto, no piloto, a cor do mobiliário de branco para preto.
  • Na tela, uma imagem com legenda convida o visitante a experimentar a interface, enquanto o áudio comunica a mensagem “pegue uma amostra” com uma suave música de fundo.

O piloto Pedras Sabidas permaneceu em exposição no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal em dois locais distintos: próximo à instalação Chão de Estrelas, no segundo andar e, posteriormente, no Salão Nobre. Pesquisadores e visitantes (com e sem deficiência visual) foram convidados a testar a interface interativa.

Avaliação pós-uso e sua importância

Por meio da avaliação pós-uso concluiu-se que o áudio da amostra Madeira Fossilizada não se apresentava suficientemente elucidativo para as pessoas com perda total da visão. A madeira fossilizada, também conhecida como madeira petrificada, é formada quando a celulose original da madeira é substituída por substâncias minerais ao longo do tempo.

O fenômeno acontece pelo soterramento dos troncos durante milhões de anos. Assim, a amostra possui a textura de uma madeira, mas a frieza de um mineral, confundindo as pessoas com deficiência visual. O texto do áudio foi, então, reescrito e regravado, com o objetivo de esclarecer melhor o processo de transformação da madeira em mineral.

Este é apenas um exemplo que ilustra a importância de se realizar um expositor piloto e de testá-lo junto ao seu público-alvo. Um projeto de acessibilidade e inclusão se constrói com a participação efetiva dos usuários em todas as suas etapas.

A partir dos testes foram identificados os pontos a serem melhorados para as próximas interfaces do circuito, avaliando ainda as mudanças já implementadas em relação ao protótipo. Trata-se do denominado Ciclo PDCA: Plan (planejar), Do (Executar), Check (Avaliar), Action (Implementar ações corretivas).

Assim como o protótipo, o piloto foi aprovado pelos usuários. Os excelentes resultados das avaliações corroboraram para a proposta de se consolidar um Circuito Acessível de Expositores Interativos no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal.

Prêmio Ibermuseus

O Circuito Acessível de Expositores Interativos ganhou o 4º Lugar no 7º Prêmio de Educação e Museus – Categoria II (projetos em andamento), promovido pelo Programa Ibermuseus, iniciativa de cooperação e integração dos países ibero-americanos para o fomento e a articulação de políticas públicas para a área de museus e da museologia. O Programa é apoiado, dentre outros órgãos, pela OEI (Organização de Estados Ibero-americanos).

Foram 167 projetos de 18 países inscritos nessa edição, sendo o Circuito Pedras Sabidas o único brasileiro contemplado em 2016.

Como prêmio, o museu recebeu 10 mil dólares a serem investidos no Projeto.  Este recurso permitiu a construção de novos expositores, detalhados na próxima etapa, e a publicação desta Cartilha em versão online, PDF e impressa. (Inscreva-se no Newsletter ao lado para receber notícias quando o pdf estiver disponível para download no site!)

Saiba todos os detalhes técnicos desta etapa consultando as publicações científicas do Projeto Pedras Sabidas. Demais recursos relevantes sobre o tema também podem ser encontrados nas Referências sobre Acessibilidade.

Interface interativa piloto Pedras Sabidas.
Foto: Leonardo Miranda.
Roberto Vaz apresentando, em reunião da equipe no museu, a proposta de design para o expositor piloto.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Modelo 3D digital, protótipo em cartolina e simulações: Roberto e Júlia apresentando a proposta de design das Pedras Sabidas.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Soraia Vasconcelos narrando os áudios das Pedras Sabidas no estúdio da UFMG.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
O Projeto Pedras Sabidas utilizou o software de gestão código aberto Collabtive, customizado e hospedado no Laboratório Virtual LavMUSEU (antigo LavGRAFT).
Fonte: LavMUSEU.
No software Collabtive todas as informações do projeto encontravam-se disponíveis para os participantes da pesquisa, no museu e na universidade, no Brasil e em Portugal.
Fonte: LavMUSEU.
No Collabtive também foi estruturada a comunicação entre a coordenação do projeto de pesquisa e o bolsista Roberto Vaz.
Fonte: LavMUSEU.
Expositor piloto Pedras Sabidas em sua primeira localização para testes, próximo ao Chão de Estrelas.
Foto: Leonardo Miranda.
Escolares visitando o MM Gerdau e explorando o expositor piloto.
Foto: Roberto Vaz.
Atividade mediada com crianças escolares no expositor piloto Pedras Sabidas.
Foto: Roberto Vaz.
Expositor piloto Pedras Sabidas pronto para novos testes com os visitantes.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Roberto Vaz realizando testes no piloto Pedras Sabidas com visitantes.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
A curadora de Geociências Andréa Ferreira recepcionando os professores e alunos do Instituto São Rafael para pessoas com deficiência visual.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
A museóloga Míriam Célia testando o expositor piloto.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Aluno do Instituto São Rafael respondendo à avaliação pós-uso com a museóloga Míriam Célia.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Prof. José Silvestre (Instituto São Rafael) realizando testes no expositor piloto com a pesquisadora Thais Dias.
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
Amostra de madeira fossilizada do expositor piloto Pedras Sabidas.
Foto: Leonardo Miranda.
O café do museu é um dos escritórios preferidos da equipe: rumo à próxima etapa do projeto!
Foto: Ana Cecília Rocha Veiga.
xpositor Pedras Sabidas com cinco amostras, pronto para ser utilizado. No televisor aparece a mensagem:
Menu
Translate »