Apresentação

A importância da acessibilidade em museus

O último Censo do IBGE registra que 45,6 milhões de brasileiros declararam ter pelo menos uma das deficiências investigadas, o que representa quase um quarto da população do país. Não bastasse este número, significativamente alto, todos nós podemos apresentar deficiências temporárias ao longo da vida, por exemplo, dificuldade de locomoção por causa de obesidade, fraturas e ferimentos, gravidez ou idade avançada.

No que tange às questões políticas, segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais – Munic (2014), a maioria das prefeituras não promove políticas de acessibilidade, estando o turismo acessível e a promoção de acessibilidade digital entre as políticas menos recorrentes.

Segundo Museus em Números, apenas 50,7% dos museus declararam possuir instalações voltadas para o público com deficiência. Este número pode ser ainda mais grave, tendo em vista que aproximadamente metade dos museus não respondeu ao questionário que originou a estatística. Considerando a evolução dos anos anteriores, dificilmente alcançaremos o alvo de 100% proposto pela Meta 29 do Plano Nacional de Cultura:

“Até 2020, 100% de bibliotecas públicas, museus, cinemas, teatros, arquivos públicos e centros culturais atendendo aos requisitos legais de acessibilidade e desenvolvendo ações de promoção da fruição cultural por parte das pessoas com deficiência.”

Ainda segundo o Museus em Números, são estes os percentuais por tipo de instalação:

  • Rampa de acesso: 78,8%
  • Sanitário adaptado: 48%
  • Vagas exclusivas: 38,2%
  • Elevador adaptado: 24%
  • Etiquetas/Textos em Braille: 7,4%
  • Sinalização em Braille: 5,7%
  • Outros: 5%

Conforme a definição do ICOM (International Council of Museums), os museus são instituições sem fins lucrativos a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento. Ou seja, a função social dos museus encontra-se no cerne de sua existência. Nesse sentido, torna-se imperativo trazer para a pauta de prioridades as questões relativas à inclusão social e acessibilidade.

Circuito Acessível de Expositores Interativos

O Circuito Pedras Sabidas é fruto de um convênio internacional de pesquisa entre a UFMG (Laboratório Virtual LavMUSEU), o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal e o IPB (Instituto Politécnico de Bragança – Portugal), objetivando a realização do projeto TI (Tecnologia da Informação) em Museus de Alta Complexidade. Na fase de protótipo, contou ainda com a participação de docentes da Universidade de Aveiro (Portugal).

Desta pesquisa, nasceu o Circuito Acessível de Expositores Interativos, que em 2016 foi premiado pelo Programa Ibermuseus. Com os recursos disponibilizados pelo prêmio foram executadas três novas interfaces acessíveis para a exposição permanente, batizadas de “Pedras Sabidas”, bem como esta Cartilha (versão on-line, PDF e impressa).

Tendo as pessoas com deficiência como público alvo principal, e levando em consideração ainda os princípios do Desenho Universal (acessibilidade para todos), esta Cartilha contempla dois conteúdos:

  • Um Roteiro do Visitante, apresentando os acervos que compõem o Circuito Pedras Sabidas.
  • Uma Cartilha para Profissionais de museus e espaços culturais, com o objetivo de auxiliar estas instituições no planejamento e na implantação de exposições permanentes interativas e acessíveis.

A intenção das instituições envolvidas é que o projeto alcance outros museus e espaços culturais, incentivando e promovendo a inclusão e a acessibilidade em suas exposições!

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